domingo, 23 de janeiro de 2011

ORAÇÃO DO SACERDOTE NUMA TARDE DE DOMINGO

Esta tarde, Senhor, estou sozinho.
Na Igreja, pouco a pouco, os ruídos calaram-se.
Foi-se embora toda a gente,
E eu voltei para casa,
Passo a passo,
Sozinho.
Cruzei-me com gente que voltava de um passeio,
Passei pelo cinema: vomitava uma pequena multidão,
Vagueei ao longo de esplanadas de cafés onde, cansados,
Os domingueiros tudo faziam para esticar um pouco mais a
Alegria de viver um Domingo de festa.
Esbarrei nos miúdos que jogavam à bola na rua.
Os garotos, Senhor!
Os filhos dos outros, que não serão nunca os meus.
E aqui estou, Senhor,
Sozinho!
No silêncio que me dói
Na solidão que me oprime.

Tenho 33 anos, Senhor,
Um corpo feito como os outros corpos,
Braços moços para o trabalho,
Um coração reservado para o amor,
Mas tudo isto Te dei.
É verdade que de tudo precisavas,
Tudo Te dei, Senhor, mas é duro Senhor.
É duro dar o próprio corpo: ele queria dar-se a outro.
É duro amar toda a gente e não possuir ninguém.
É duro apertar a mão sem poder retê-la.
É duro fazer que brote uma afeição, mas para a dar a Ti.
É duro nada ser para mim mesmo, a fim de ser tudo para eles.
É duro ser como os outros, entre os outros e ser um outro!
É duro dar sem cessar, sem procurar receber.
É duro alguém ir ao encontro dos outros, sem que jamais
alguém venha ao meu encontro.
É duro sofrer os pecados dos outros, sem poder recusar
acolhê-los e carregá-los.

É duro receber os segredos, sem poder compartilhá-los.
É duro arrastar os outros sem cessar e nunca poder, um
instante sequer, deixar-me arrastar pelos outros.
É duro sustentar os fracos sem poder apoiar-me sobre um forte.
É duro estar sozinho.
Sozinho diante de todos,
Sozinho diante do mundo,
Sozinho diante do sofrimento, do pecado, da morte.


Não estás sozinho, meu Filho,
Estou contigo,
Eu sou teu,
Eu precisava, na verdade,
de uma humanidade a mais para continuar a minha
Encarnação e a minha Redenção.
Desde toda a eternidade, Eu te escolhi.
Eu preciso de ti:
Preciso das tuas mãos para continuara abençoar,
Preciso dos teus lábios para continuar a falar,
Preciso do teu corpo para continuar a sofrer,
Preciso do teu coração para continuar a amar,
Preciso de ti para continuar a salvar.
Fica comigo, meu Filho.
Senhor, eis-me aqui:
Eis o meu corpo,
Eis o meu coração,
Eis a minha alma.
Fazei-me bastante grande para atingir o mundo,
Bastante forte para carregar com ele,
Bastante puro para o abraçar, sem querer guardá-lo.

Fazei que eu seja um ponto de encontro, sim, mas ponto de passagem.
Caminho que não pende para si próprio,
porque nele não há nada de humano a encontrar, nada que não conduza a Ti.

Esta tarde, Senhor, enquanto tudo em volta está em silêncio,
dentro do meu coração sinto morder duramente a solidão.
Enquanto o meu coração uiva longamente a fome de prazer,
enquanto os homens me devoram a alma
e eu me sinto impotente para a saciar,
Enquanto sobre os meus ombros pesa o Mundo inteiro,
com todo o seu peso de miséria e pecado,
eu repito o meu Sim.
Não às gargalhadas, mas lentamente, lucidamente,
humildemente.
Sozinho, Senhor, sob o Teu olhar,
Na paz da tarde...

(in Poemas para rezar, de Michel Quoist)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

VOCAÇÃO

Eu andava pelos 30 anos e estava, por assim dizer, instalado na vida. E, no entanto, parecia que me faltava alguma coisa. Ou um Alguém. Assim mesmo, com maiúscula. O Absoluto que na minha inquietação procurava não O tinha encontrado na profissão, nem nas relações mais próximas que ia cultivando. Nesse instante de lucidez, senti que uma Voz me falava pessoalmente, no íntimo do coração, chamando-me pelo nome, convidando-me a preparar o meu terreno para a sementeira. Eu que, como jornalista, tinha o hábito de perseguir as respostas, comecei a andar atrás das perguntas. É urgente descobri-las, saber pô-las. Comecei a alimentar-me com sofreguidão da Eucaristia, mas o estar "do lado de lá" já me sabia a pouco. Cristo, o Cristo do sorriso, o Ressuscitado, queria mais de mim.


Fiz o meu caminho, reforçando os laços com a Igreja. Cheguei a pensar que aquilo não me estava a acontecer e a pedir a Deus para me tirar daquele filme. Que era já tarde na minha vida, que não ia a tempo, que se tivesse acontecido antes... Nada a fazer: o "bichinho" continuava a martelar, a propor-me sair de mim próprio, esvaziar-me para me voltar a encher, desta vez do que é essencial. Na oração, descobri-me apaixonado por Cristo. Seria cansativo enumerar agora as pessoas e acontecimentos de que Ele Se serviu para me encaminhar para o Seminário. Digo apenas que, após o click inicial, veio a prova da fidelidade, por vezes dura, balbuciante.

A entrada não foi fácil. Dar contas dos meus actos, cumprir horários, viver e conviver com rapazes mais novos afigurava-se-me um pesadelo. Era, salvo seja, como se tivesse casado com 40 pessoas! Não tinha compreendido ainda que a beleza deste mistério reside no facto de nunca ter pedido para viver com eles nem eles comigo. Temia vir a ser como peixe fora de água. Receava poder vir a perturbar a casa, como aquelas pessoas que chegam atrasadas à sessão de cinema e têm que pedir licença até chegarem ao lugar que lhes foi destinado.

Mas aos poucos fui descobrindo que o Seminário é, além de um dom, uma tarefa que a cada dia que passa se constrói em comunidade. Uma família. A vida oculta de Nazaré. Não somente um lugar mas uma experiência de encontro com o Cristo que chamou os discípulos para estarem com Ele, primeiro, e só depois para os enviar a pregar - por isso prefiro dizer que estou "em seminário", mais do que "no seminário". Que esta experiência não pode ser concebida tanto do ponto de vista das coisas de que abdicamos, de que nos privamos, como na perspectiva de uma vida nova, diferente, que Ele nos oferece para que a comuniquemos. Estou com Ele. E sabeis que mais? Acabei por concluir que, afinal, a semente nunca tinha deixado de estar lá! Hoje, aos que ainda olham para mim intrigados e pronunciam a expressão "vocação tardia", costumo responder, por brincadeira, "pois, já passava da meia-noite quando o Senhor bateu à porta...". Nunca é tarde, tal como nunca é cedo!

Senhor, dou-Te graças pelas maravilhas que realizaste na minha vida e peço-Te que me dês força para ver o filme até ao fim. Podes contar comigo para ligar os máximos, porque não é o que não se semeou que mais tarde se vai colher. Sei que não conquistei nada nem vou conquistar, porque a cada passo és Tu que me conquistas. Desperta no coração das famílias cristãs a vontade de corresponderem à radicalidade do Teu amor gerando novos filhos para Igreja – lembrados de que um filho não é uma coisa que se possui (tantas vezes para que seja o que não fomos) e que por isso nunca se perde -, propondo-lhes que acolham o realismo do impossível, o dom de aprender a ser futuro em embrião aqui e agora, que Te sigam mais de perto, que descubram a beleza da vocação na beleza do Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas.

Miguel Miranda
Fonte: Net

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

domingo, 19 de dezembro de 2010

VOCAÇÃO

VOCAÇÃO

Será que tenho?
Será que devo desistir?


Nesse pequeno artigo que começo a escrever, pretendo falar da vocação que o Ser Humano é chamado a viver, porém, vou dar atenção especial a vocação Religiosa e Sacerdotal, na qual acredito ter sido chamado por Deus.
É complicado descrever de que forma a vocação surge na vida do ser Humano, ela não tem hora nem data para aparecer e muitas vezes é difícil de se definir qual vocação nos foi confiada por Deus. Até hoje penso: será essa a minha verdadeira vocação? Será essa minha missão? Será que as dificuldades não vão me “engolir” na metade do caminho? São respostas que procuro diariamente, e confesso que às vezes acho, e tenho o conforto, todavia, às vezes não encontro essas respostas e não sei o caminho certo, me vejo em escuridão.

As respostas às perguntas acima, devemos procurar na fonte de nossa vocação, mas aonde esta essa fonte? Ou melhor, quem é essa fonte?
Bom, você certamente deve ter pensado em Deus, acertei? De fato Deus é essa fonte, eu diria mais, ele é o semeador da vocação em nossos corações, Ele é aquele que com todo o carinho planta a semente da vocação no coração de cada escolhido e escolhida para trabalhar para a causa do seu Reino. Mas é claro que essa semente não vai transformar-se em uma planta e nunca dará frutos se ela não for regada. Deus nós da um “regador” cheio d’ água, contudo cabe a nós despejar esta água sobre a semente, ou seja, a vocação não depende apenas da providencia Divina, mas sobre tudo depende de nossa boa vontade de cuidar dessa semente tão valiosa.

Nesse processo de cuidado com a vocação vem as “pragas”. Essas “pragas” são os momentos de duvida, os momentos de tristeza. São esses momentos que pensamos em desistir, de parar de seguir este caminho tão belo, está caminhada rumo ao Reino de Deus. Essas são as chamadas provações que estão sempre ao lado daquele que assume Deus como seu bem maior. A esses, a caminha nunca será fácil, sempre terá algum motivo que lhe leve a pensar na saída do seminário, ou no abandono de seus votos, e no caso dos sacerdotes, abandono do seu ministério.

Eu ainda na qualidade de seminarista, já vivi vários momentos de crise vocacional, diga-se de passagem, que uma delas me tirou uma vez do seminário, no qual entrei em 2007 e saí no mesmo ano. Hoje vivendo a carismas de São José Manyanet na Congregação Filhos da Sagrada Família Jesus Maria e José, sinto a fortaleza de ser acolhido nos braços maternos de Maria e estar na proteção paternal de José, porém, os momentos de crise sempre batem a porta, momentos que sou confortado pela Santa Virgem e pelo Santo carpinteiro, e é lógico, pelo nosso irmão e Senhor, Jesus.
A vocação é algo muito complicado. Certa vez em uma entrevista que concedi ao blog Oficial, disse que não a quem entenda a cabeça de um seminarista, e de fato, como alguém vai compreender a cabeça deste, se ele mesmo não consegue se achar? A vocação a vida religiosa tem seus altos de baixos, e nós chamados a essa vocação devemos lidar com os momentos de tormenta, mas como? É uma boa pergunta que sinceramente não sei responder, apenas me esforço para tentar supera-las. O método no qual eu aconselho é simples, mas eficaz: O poder da oração. A oração é a grande arma daquele que tem fé em Deus e em Cristo nosso Salvador. Mas em um lugar nós encontramos a força que reanima nossa vocação, eu gosto de chamar este local de “Manto da Mãe de Deus”. É aonde encontro forçar, e tenho certeza que deve haver um lugar para você neste Manto de amor. Faça a experiência, vale a pena.
Agora é continuar a caminhar para a vocação perdurar.
Que a Sagrada Família te ilumine, e não se esqueça que você não está sozinho, que a sua vocação esta sendo acompanhada de perto por alguém especial.

Cesar da Rocha Pires
Seminarista da Congregação Filhos da Sagrada Família Jesus Maria e José

Fonte: Net

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

VOCACIONADO FERNANDES

Sou Fernandes, moro em Votuporanga desde que nasci, interior de São Paulo. Tenho 24 anos, quase 25 em breve..rs E estou no último ano do curso de Publicidade e Propaganda na Unifev - Centro Universitário de Votuporanga.

Sou comunicador desde os meus 20 anos quando tomei gosto pela comunicação, fiz o meu primeiro curso de informática e desde então não parei mais. Tenho vários cursos de comunicação, jornalismo, oratória entre outros, mas o que me deixa feliz são os cursos que fiz sobre a juventude.

É a partir daqui que começo minha história de evangelização.
Aos 15 sou crismado na paróquia Santa Joana Princesa em 2000, e no final deste mesmo ano começo a participar do grupo de jovens da Pastoral da Juventude na minha comunidade que fica por um ano e meio. Depois vou para a Igreja Santa Joana ajudar os coordenadores do grupo de base e assim começo minha vida dentro da Igreja.

Aos 20 anos já estou engajado nos grupos de jovens e foi quando pensei pela primeira vez a respeito da vocação. Mas não pensava em ser padre tão já, e fui fazer faculdade, festas, amigos e trabalho. Um dia fazendo um curso em São Paulo no Pio XI, conheci a estátua de Dom Bosco e perguntei para uma freira quem era aquele santo que eu desconhecia e ela prontamente me explicou quem era ele, o que ele fez pela juventude e tive o contato visual com os padres salesianos que estavam na casa enquanto acontecia o curso do CDL.

Chegando em casa, entrei no site da Inspetoria e escrevi para a Pastoral Vocacional. Em menos de uma semana o Pe. Cássio me respondeu e fez o primeiro contato, eu fiquei feliz e falei que iria fazer o encontro vocacional. Mas não pude ir devido ao meu namoro repentino, paixão e tal, que acabou rapidamente. E continuei a fazer faculdade e trabalhando com os jovens, foi quando pensei em novamente entrar em contato, e comecei namorar novamente, que durou um pouco mais.

Terminando o namoro devido a falta de tempo e ao meu serviço com os jovens. Fiquei um tempo para pensar e trabalhar e foi quando entrei em contato novamente via e-mail e o Pe. Toninho me respondeu falando que haveria uma semana missionária vocacional em Piracicaba e eu estava convidado a participar.

Desde então que fiz a experiência na semana missionária, não parei mais. Participo de quase todos encontros vocacionais, fiz várias missões com os Salesianos, retiros, troco idéias com os padres que fui conhecendo, fora os contatos que fui fazendo, os amigos e irmãos de caminhada que fui ganhando.
E aos poucos fui conhecendo mais os Salesianos, a vida de Dom Bosco, os Santos Salesianos e mbém visitando as casas de formação, os colégios, a faculdade, Igrejas salesianas e assim vou discernindo a minha vocação.
Acredito muito que Deus age na vida das pessoas e que elas podem mudar o mundo sim, se não der que seja ela mesmo. E também acredito que quando ele nos chama, de uma certa forma respondemos ao seu chamado de forma tranquila, serena e talvez ansiosa como estou ultimamente. Pois é muito legal e gratificante poder estar servindo a Deus, e santificar a vida em prol a juventude é mais gratificante ainda.
Espero espelhar muito na vida de Dom Bosco e de Pe. Rua, que Deus me dê sabedoria e paciência e que meus futuros irmãos possam somar comigo na evangelização da juventude, pois o melhor de tudo isso é a certeza que sempre estaremos em família.
Abraços fraternos.
Fernandes

sábado, 27 de novembro de 2010

O PADRE

'O PADRE SÓ PODE SER PLENAMENTE COMPREENDIDO À LUZ DA FÉ. E A FÉ É SEMPRE MAIS DO QUE UMA SÍNTESE TEOLÓGICA'.
(Card. Danneels)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

terça-feira, 2 de novembro de 2010

TESTEMUNHO VOCACIONAL

1. Sem. Luan Saldanha, de qual diocese você provém?

R- Provenho da Paróquia São Roque na cidade de Serrolândia/BA, que pertence a Diocese de Bonfim, da qual, faço parte e trabalharei como sacerdote, se assim Deus dispuser em sua bondade.

2. Quantos anos você tem?
R- Nasci no dia 12 de janeiro de 1991. Tenho 19 anos.
3. Como se deu o seu despertar vocacional?
R- O meu Pai, em sua juventude, como bom cristão católico, enxergou entre outras possibilidades, o sacerdócio como um meio de servir a Jesus e a Igreja, abriu seus ouvidos para que o Senhor falasse e permitisse um discernimento sobre sua vocação. Após alguns encontros vocacionais, percebeu que não era esse o caminho que Deus lhe propunha. Minha mãe por sua vez, teve parecida experiência e desejava ardentemente consagrar-se a Cristo através da vida religiosa. Depois de algum tempo de acompanhamento junto a congregações religiosas, o Senhor também a fez perceber que a sua vocação era na verdade o matrimonio. Por desígnio de Deus, constituíram uma família, gerando dois filhos: Eu, e depois de um ano o segundo filho, desta vez uma menina. Não podendo ser diferente, educou-nos na fé da Igreja, a partir dos princípios e valores do evangelho. Com pouco menos de um mês de vida, fui introduzido na família de Deus pelo Batismo. Fui deste modo, crescendo na fé e no amor a Nossa Senhora, à Igreja e principalmente à Eucaristia que sempre teve lugar privilegiado, sendo o centro da nossa vida em família, bem como, a recitação do terço além de um assíduo trabalho pastoral na paróquia. Nesse contexto familiar, fui encorajado a me doar sempre mais pela Igreja, encontrando na vida pastoral um grande valor humano e espiritual. Fui crescendo sem jamais abandonar a fé, e como boa parte dos vocacionados, brincava de celebrar Missas, promover procissões e etc. Com isso, surgia inevitavelmente o sonho de tornar-me sacerdote para mais eficazmente ajudar o Reino de Deus a crescer. Contudo, abandonei essa idéia na adolescência, embora continuasse a ter uma vida ativa na comunidade. No entanto, a vontade de Deus sempre prevalece, Ele nos atrai e seduz, assim foi comigo: Na medida em que o tempo passava, o desejo de consagrar-me ao Senhor foi crescendo e se tornando sempre mais intenso. Junto com outros jovens e demais paroquianos, fundamos um grupo de oração da Renovação Carismática em nossa paróquia, o que serviu efetivamente para gerar um renovado ardor e desejo de abraçar com radicalidade a causa do evangelho. E assim se fez! Depois de muito rezar, assim que terminei o ensino médio, acompanhado pelos padres responsáveis pela pastoral vocacional em minha Diocese e apoiado pela família e amigos, ingressei no seminário propedêutico Bom Pastor na Diocese de Bonfim/BA, sendo que depois de um ano, nosso Bispo Dom Francisco Canindé nos enviava para o seminário Maria Mater Ecclesiae do Brasil.

4. Como é estar no Mater Ecclesiae?
R- Um verdadeiro desafio! Uma constante busca pelo cumprimento da vontade de Deus e incessante esforço para enxergar em tudo a dimensão formativa e sobrenatural de cada atividade.

5. Qual ponto da formação mais lhe toca?
R- A vida espiritual. Na mesma proporção de importância é o desafio da fidelidade na vida de oração e no crescimento da intimidade com Deus, que se dá também, pelo exercício da responsabilidade, formação da vontade e acima de tudo no amor à vocação e, sobretudo ao Cristo.

6. O que você espera do seu Sacerdócio?
R- Que meu ministério seja permeado pelo amor a Cristo que é O caminho, A verdade e A vida. Que o amor a verdade seja sempre crescente, e que nunca se perca ao longo da minha história o verdadeiro sentido do ser sacerdote: aquele que “realiza o sacrifício eucarístico fazendo as vezes de Cristo e oferece-o a Deus em nome de todo o povo;” (Lumen Gentium).

7. O que mais gosta do seminário?
R- A possibilidade de estar sempre mais perto de Deus por meio dos sacramentos, além de outros meios oferecidos que facilitam o nosso amadurecimento enquanto cristãos, acima de tudo. Outro aspecto que muito me alegra é poder conviver com outros jovens que participam das mesmas aspirações, além de estar perto de pessoas de diversos lugares e culturas o que proporciona um conhecimento maior do outro e dos costumes de vários estados do país.

8. Qual é o maior desafio de um seminarista no seguimento da própria vocação?
R- Não esquecer a meta: Jesus! Por conta dos mais diversos desafios e dificuldades não é difícil perder-se da meta. É preciso renovar diariamente o “Sim”, tratando todos os obstáculos com sobriedade e acolhendo as conseqüências do chamado com amor e prontidão.

9. O que você pode dizer da formação intelectual oferecida pelo seminário?
R- A formação intelectual é aspecto indispensável para um ministério sacerdotal eficaz. No seminário Maria Mater Ecclesiae, esta dimensão da formação tem também especial atenção, o que ajuda o seminarista a amadurecer enquanto pessoa e a estar inserido em todos os campos da sociedade para uma evangelização sólida e comprometida com A verdade.

por Sem. Luan Saldanha

fonte: Net

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

VIDA

VIDA,
DOM DE DEUS!
OBRIGADO SENHOR!
OBRIGADO FAMÍLIA
OBRIGADO!!!
LOUVADO SEJA DEUS PELA MINHA VIDA!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Vocação sacerdotal e profissão

Vivenciamos o Ano Sacerdotal numa oportunidade especial para que cada presbítero renove seu propósito interior, assumido no dia de sua ordenação sacerdotal. Nas intenções do Papa Bento XVI, o alvo a ser atingido é aquele vivido pelo patrono dos padres, São João Maria Vianney, o Cura d’Ars, na disponibilidade e entrega total de si mesmo.
A vida sacerdotal teve um caminho diversificado nos vários momentos da história. Podemos destacar os inícios da Igreja, a Idade Média e os tempos modernos. No primeiro caso, o ministério sacerdotal estava mais em sintonia com a comunidade. No segundo momento, dominava o clericalismo extremo. Na nova cultura, há uma tendência muito secularista.
O que se observa hoje é um grande desgaste na identidade sacerdotal, tendo como atitudes os sinais de fidelidade e de mediocridade. Dentro das críticas da cultura hodierna, que observa um lado obscuro da vida clerical, falamos de vocação e de profissão. São dois caminhos de realização humana e distintos nos seus reais objetivos.
Quem se sente realmente vocacionado para a vida sacerdotal, tê-la como profissão não se satisfaz. A vocação supera o simples caminho profissional. Ela exige mais entrega de si mesma, de dedicação, empenho e sacrifício. O seu caráter tem mais sentido de perenidade e dimensão definitiva. Vocação é serviço, é ser servo de todos e é dom do Espírito.
Como dom de Deus, a vocação deve corrigir, em todos os presbíteros, o simples acento funcionalista. O padre não pode ser funcionário do sagrado, principalmente por saber que a vocação brota do coração, da sua própria identidade, que ultrapassa, em muito, uma simples profissão ou funcionalismo do altar.
O bom profissional busca suas habilidades participando daquilo que o capacita para agir. Para isso há os cursos de “qualidade total” com requinte de perfeição. A qualidade do sacerdote vem de sua experiência de vida com Deus. Sem isso, a ação do padre não passa de uma profissão e perde sua força missionária.
A tônica da Igreja é o povo de Deus, de onde surgem as vocações para a vida sacerdotal. Podemos dizer que a vocação nasce do povo e é colocada a serviço desse mesmo povo. Na nova cultura, todo padre corre o risco de cair na superficialidade, na cultura da imagem, não dando mais sentido aos símbolos.
A estética, a aparência e os exteriorismos, também litúrgicos, reforçam a infecundidade do ministério sacerdotal. A mídia é importante, atrai multidões, encanta as pessoas, mas exalta muito o aspecto individualista do cristão. Nem sempre consegue integrar as pessoas na vida comunitária.
Ao falar de encontro pessoal com Jesus Cristo, de conversão e de discípulos missionários, a Igreja revela sua preocupação com a identidade dos cristãos. Não adianta dizer “Senhor, Senhor”. É preciso agir com vocação alimentada no seguimento do Mestre, com convicção e propósitos firmes.
A partir de tudo exposto, fazendo uma total revisão nas nossas atitudes de vocacionados, podemos dizer que o Ano Sacerdotal poderá atingir os objetivos almejados. Como sacerdotes, deixaremos de ser simples profissionais, para ser imagem do Cristo Sacerdote na construção do povo de Deus.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Bispo de São José do Rio Preto