quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O ESCOLHIDO

Chamado
Consagrado
Enviado...
Como sacerdote foste escolhido
para ser pastor de um povo fiel.
(Beato João Paulo II)

domingo, 9 de outubro de 2011

O SACERDOTE E O SAGRADO

'...É um personagem culto, porque alcançar a sua posição exige severos estudos e longa preparação, mas o que o caracteriza não é o saber, e sim a função, que tem origem mistérica, uma verdadeira consagração.'

sábado, 8 de outubro de 2011

 Oremos pelas Vocações




Ó Jesus, Divino Pastor das almas, que chamastes os apóstolos para fazer deles pescadores de homens. Atraí a Vós jovens ardentes e generosos, para torná-los Vossos seguidores e Vossos ministros. Fazei que eles participem de Vossa sede de redenção universal, pela qual renovais sobre os altares o Vosso sacrifício.

Vós, ó Senhor, " sempre vivo a interceder por nós"( Hb 7,25), abri para eles os horizontes do mundo inteiro, onde a silenciosa súplica de tantos irmãos pede luz de verdade e calor de amor, a fim de que, respondendo ao Vosso chamamento, continuem aqui na terra a Vossa missão, edifiquem o Vosso Corpo Místico que é a Igreja e sejam " sal da terra" e " luz do mundo". Amém

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O SACERDOTE E O SAGRADO

'O sacerdote é um personagem da nossa sociedade. Uma figura com longa história em nossa cultura, que levou a termo tarefas com reconhecimento distintos e frequentemente até constratantes. Um personagem que mudou porque o ambiente em que se situa mudou. Assim, embora perseguindo um objetivo idêntico, ligado à função intitucional que exerce, o ambiente no qual vive o modificou, mudando até o modo externo com o qual se apresenta ao povo. Da veste talar comprida e preta com barrete com pontas e pompom ou chapéu rígido de abas largas, é possivel vê-lo às vezes à paisana, com jeans e camiseta, não mais identificável ou imediatamente reconhecível. E isso ele o fez para esconder-se, quando a sua missão, contrastada, devia ser executada de forma clandestina; ou então pela convicção de que devesse ser notado não pelo hábito, mas pelo seu modo de ser e por seu comportamento, invertendo o dito popular de que é o hábito que faz o monge.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A SOLIDÃO DO PADRE

'É sempre complicado falar do sentimento do ser humano, ainda mais se esse ser humano é um sacerdote, que tem uma percepção do mundo - e do próprio ser no mundo - totalmente peculiar.'

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A NECESSIDADE DO SACERDOTE

'..O sacerdote deve ocupar-se de todo rebanho e, portanto, dos crentes, dos seus fiéis, mas também dos não crentes, dos não fiéis.'

quarta-feira, 18 de maio de 2011

PADRES, viagem entre os homens do sagrado

'...Fico sempre estarrecido quando, num mundo que já não tem mais regras e não adverte mais o sentido de culpa, emitem-se juízos tremendos para pecados cometidos por sacerdotes; parece que domina um excesso, ao passo que a fé reservada aos compromissos assumidos pelo ser humano comum é banalizada.' (Vittorino Andreoli)

sábado, 14 de maio de 2011

O SEMINARISTA

"... é preciso avaliar um chamado de Deus como uma alegria, porém nunca o não chamado à vida religiosa como recusa por parte de Deus. Mais simplesmente, significa entrar na sociedade e expressar o próprio credo religioso na vida ordinária, unindo-o à própria profissão que a enriquece de significado.

Justamente por isso, é preciso que a vida do seminarista seja tranquila e serena, comprometida, mas não obsessiva. E, por isso, ele deve evitar considerar-se um 'tocado por Deus', mas também, ao contrário, considerar-se um excluído, no caso de que não ocorram as condições para continuar no caminho do sacerdócio. Trata-se simplesmente de um uso diferente do próprio crer estando no mundo, um caminho alternativo, sempre dentro da fé."

terça-feira, 10 de maio de 2011

A VOCAÇÃO SACERDOTAL

A vocação Sacerdotal é um mistério de amor entre Deus e o homem. Deus, por amor, chama ao homem que, também por amor, lhe responde livremente.
Um chamado para ser a ponte entre o céu e a terra; entre Deus e os homens.
“Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus ( Mt 16, 19)”.
Um chamado a continuar o projeto de Jesus no mundo e salvá-lo, mas não ser mais do mundo.
“Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi (Jo 15, 19)”.
A vocação Sacerdotal é um destino irrevogável, iniludível: Não tem volta; Quem é Padre não pode voltar atrás. O casamento é até que a morte os separe. O sacerdócio, mesmo depois de morto continua sendo Padre.
“Respondeu Jesus: Em verdade vos declaro: no dia da renovação do mundo, quando o Filho do Homem estiver sentado no trono da glória, vós, que me haveis seguido, estareis sentados em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel (Mt. 19, 28)”.
A vocação Sacerdotal é um mistério de amor e o amor é livre para a escolha mas fiel no compromisso.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

sábado, 2 de abril de 2011

O QUE É VOCAÇÃO?

Vocação é o chamado de Deus que tem como finalidade a realização plena da pessoa humana.
-É um gesto gracioso de Deus que visa a plena humanização do Homem.
-É dom, é graça, é eleição cuidadosa, visando a construção do Reino de Deus.
-É um chamado para fazer algo, para cumprir uma missão.
-Toda a pessoa é vocacionada, é eleita por Deus.
-Deus elege por causa de alguns (comunidade) e esta eleição manifesta-se no nosso dia a dia.
A mensagem do Evangelho à um convite contínuo a seguir
Jesus Cristo. Vem e segue-me. (Mt 9,9 ; Mc 8,34; Le 18,22;
Jo 8,12).
VEM-CHAMADO: é um convite pessoal dirigido por Deus
a uma pessoa.

SEGUE-ME - MISSÃO: é o seguimento da prática de Jesus. É uma iniciativa gratuita, proposta que parte de Deus (dimensão teológica). Impulso interior de cada pessoa onde conscientemente responde ao plano de amor de Deus.

terça-feira, 1 de março de 2011

TESTEMUNHO VOCACIONAL

É natural que, adolescentes e jovens em certo momento se perguntem: “Que buscarei para minha vida futura? Que ideais e porque caminhos me convem ir?” Além de investigar nos livros de estudos, certamente muitos deles observam as pessoas concretas como exemplos possíveis de ser imitadas.
A respeito, uma das passagens bíblicas que me impressionam por seu realismo e espontaneidad começa com uma pergunta, segue com um convite e uma breve convivencia. Expressa uma pedagogia eficaz, que respeita profundamente a liberdade de quem procura recorrer seu propio caminho.
- “Que buscais?”, pergunta Jesus a dois jovens, perto do rio Jordão.
O que se le em seguida se pode denominar, com razão, uma “aula de mestre”.
Os jovens de hoje querem saber como vivem os “mestres”, tem interesse em particularidades das pessoas que lhes produzem admiração. No meio desta curiosidade, há uma busca da realidade mesma (coerencia, verdade, sinceridade) do “ídolo” que supera as aparências.
A satisfação de busca destes jovens é mais completa quando o que é “desvelado” o é de maneira personalizada, sem artificios. Justo aí, ocorrem excelentes provas vocacionais: os jovens, que ja nao suportam farisaísmos, sao capazes de rechaçar ou abraçar para sí mesmos este ou aquele modo de vida.
Deus é quem chama e constitui seus ministros para a evangelizaçao e a cura de almas na Igreja. É também claro que “os sinos dos projetos terrenos” são muito forte nos ouvídos dos batizados, obstruindo ou obnubilando muitas vezes a “vox Dei” que está na brisa mansa (1Rs 19,12). Os espaços sociais carecem de silencio, de meditaçao e “sintonía” para escutar o chamado divino; ao menos falta o silêncio interior. Porém Ele, como dono da Vinha, não a abandonará sem operários, Sua generosidade no chamamento se manifesta de múltiplas formas.
No processo de resposta à vocação ministerial não é estranha a presença de um mestre que, muito de perto, é como uma seta indicando a meta. Josué teve a Moisés como mestre, Samuel a Heli, Timoteo a Paulo… e assim por diante. O papa Paulo VI dice que o mundo moderno ouve mais às testemunhas que aos pregadores (E.N). Joáo Paulo II reafirma a importância desse testemunho (PDV. 39), e é este o tema da mensagem de Bento XVI para o dia do Bom Pastor.
Eu tive a graça de contar com uma pessoa equilibrada, simples e orante em meus primeiros passos vocacionais. Ainda adolescente, me dispus a acompanhar-lhe algumas vezes em seus trabalhos de assistência às comunidades. Nestas oportunidades, mais que por suas palavras, me fez ver sua fidelidade e dedicação às pessoas sem esperar nada em troca, sempre disponivel a ouvir e orientar sem arrogancia, sem pressa, sem elucubraçoes… O referido sacerdote, ordenado por Joao Paulo II em 1980, nao sabe o bem que me fez em seus “silencios”, em suas aulas “prácticas”.
Em minhas atividades pastorais como seminarista sempre falei da vocaçao sacerdotal; como reitor do Seminário Menor procurei acompanhar aos vocacionados através de visitas às suas familias, colegios e paróquias. Hoje -suponho- haverá algum deles (sacerdotes) para o qual aquelas visitas terao tido un significado positivo em sua decisao, mais que minhas palavras.
Evidentemente há muitos modos de chamamento ao sacerdocio ministerial, mas este processo, por assim dizer, “personalizado”, é evidente nas Sagradas Escrituras, e um dos mais eficazes na Historia da Igreja, até o dia de hoje. Se há sacerdotes que nao vivem sua vocaçao, muitos mais sao os que a vivem com intensidade de amor indiviso.
Creio que, nós sacerdotes, nao devemos aparecer como uns “desencarnados” da realidade, angélicos ou artistas: fizemos uma opçao pela qual entregamos a vida, sem temer a transparencia de nossa humanidade, de nossos sentimentos, hábitos e limitaçoes. Em tudo isto também haverá sinais de nossa configuraçao com Jesus Cristo a quem seguimos. O fundamental é que nao nos falte amor e doaçao sincera ao que elegimos como ocupaçao neste mundo (Rm 8,35).
Entao, queremos apresentar nossa “casa” aos jovens que perguntam: “Onde vives?”. Abrimos nossa porta para que vejam de perto em que consiste o “misterio” que envolve nosso “ministerio”: estar no mundo sem ser do mundo. Que descubram eles mesmos a fonte de nossa alegria. Ao menor gesto de interesse, queremos dizer-lhes: “Vinde e vereis”.
Deixaremos que falem nossas açoes, nao nos distanciaremos; nossa vocaçao nao é de “Mito”: em algum momento e sempre, o simulacro desaparece, e fica o que é. Na convivencia com um ou outro jovem, ja nao seremos nós quem falaremos e sim Aquele em quem procuramos nos configurar. E, se algo em nós, mui humano e pouco divino, aparecer nesta aula prática nao será motivo de susto para quem também viveu a circunstancia da debilidade. Nao lhes passará despercebido nosso empenho na “messe” e, sobretudo, o encantamento que dedicamos ao Senhor. E além disso, o Espírito Santo – protagonista maior- fecundará a boa semente nos jovens que buscam definir suas futuras ocupaçoes.
(Pe. Crésio Rodrigues / Direito Canónico em Pamplona-España).

VOCAÇÃO

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Bento XVI encoraja os sacerdotes a anunciarem Cristo no mundo digital

Papa convida sacerdotes a anunciarem Cristo no mundo digital



O papa Bento XVI encoraja os sacerdotes a anunciarem Cristo no mundo digital, assegurando a eles que nesse contexto encontram-se como que no limiar de uma "história nova".

É a proposta contida na mensagem do Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2010, e que tem por tema O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra.
O Papa quis escolher este tema para mostrar como a comunicação no mundo digital oferece ao sacerdote “novas possibilidades para exercer o seu serviço à Palavra e da Palavra”.
Falando dos homens e mulheres do mundo digital, o Papa pede aos sacerdotes: “como hão-de acreditar n’Aquele de quem não ouviram falar? E como hão-de ouvir falar, se não houver quem lhes pregue? E como hão-de pregar, se não forem enviados?"


Início de uma história nova
Segundo o bispo de Roma, “o sacerdote acaba por encontrar-se como que no limiar de uma "história nova", porque quanto mais intensas forem as relações criadas pelas modernas tecnologias e mais ampliadas forem as fronteiras pelo mundo digital, tanto mais será chamado o sacerdote a ocupar-se disso pastoralmente, multiplicando o seu empenho em colocar os media ao serviço da Palavra”.
O Papa pede aos presbíteros “a capacidade de estarem presentes no mundo digital em constante fidelidade à mensagem evangélica, para desempenharem o próprio papel de animadores de comunidades, que hoje se exprimem cada vez mais frequentemente através das muitas "vozes" que surgem do mundo digital”.
Em particular, convida-os a “anunciar o Evangelho recorrendo não só aos media tradicionais, mas também ao contributo da nova geração de audiovisuais (fotografia, vídeo, animações, blogues, páginas internet) que representam ocasiões inéditas de diálogo e meios úteis inclusive para a evangelização e a catequese”.
“Através dos meios modernos de comunicação, o sacerdote poderá dar a conhecer a vida da Igreja e ajudar os homens de hoje a descobrirem o rosto de Cristo, conjugando o uso oportuno e competente de tais meios - adquirido já no período de formação - com uma sólida preparação teológica e uma espiritualidade sacerdotal forte, alimentada pelo diálogo contínuo com o Senhor.”


Deus vivo
O sacerdote não é um técnico da comunicação, assinala o Papa, no entanto, “o presbítero deve fazer transparecer o seu coração de consagrado, para dar uma alma não só ao seu serviço pastoral, mas também ao fluxo comunicativo ininterrupto da ‘rede’".
A este propósito, o pontífice propõe “uma pastoral que torne Deus vivo e atual na realidade de hoje e apresente a sabedoria religiosa do passado como riqueza donde haurir para se viver dignamente o tempo presente e construir adequadamente o futuro”.
Daí que “a tarefa de quem opera, como consagrado, nos media é aplanar a estrada para novos encontros, assegurando sempre a qualidade do contacto humano e a atenção às pessoas e às suas verdadeiras necessidades espirituais; oferecendo, às pessoas que vivem nesta nossa era ‘digital’, os sinais necessários para reconhecerem o Senhor”.
Respondendo às perguntas dos jornalistas, o prelado explicou que com sua mensagem o Papa não quer dizer aos sacerdotes que eles abandonem a paróquia para dedicar todo o tempo à internet.
“Creio muito na pastoral da paróquia –afirmou. Mas creio que se possa fazer uma pastoral paroquial ‘digital’. Uma pessoa que se encontra no âmbito virtual deve ser encontrada depois na comunidade verdadeira, que a acolhe, e com a qual caminha”.
“Acredito que não é apenas uma questão de ter um site. O tema é mais profundo. Nasce no coração. De um coração apaixonado nascem as várias formas de comunicação”, disse.

AUMENTA O NÚMERO DE SACERDOTES

Aumentam os católicos no mundo e também o número de sacerdotes e seminaristas, em particular na Ásia e África: é o que atestam os dados do Anuário Pontifício 2010, apresentado ao Papa pelo Cardeal Secretário de Estado, Tarcisio Bertone, e pelo Substituto da Secretaria de Estado para os Assuntos Gerais, Dom Fernando Filoni.
Os dados estatísticos, referentes ao ano 2008, fornecem uma análise sintética das principais dinâmicas relacionadas à Igreja Católica nas 2.945 circunscrições eclesiásticas do Planeta. O volume estará proximamente à disposição nas livrarias católicas.
Bento XVI expressou a sua gratidão pelo Anuário que lhe foi oferecido manifestando grande interesse pelos dados ilustrados que mostram um aumento geral dos católicos no mundo: em 2008 foi registrada a cifra de 1 bilhão 166 milhões de fiéis batizados, com um incremento de 19 milhões (+1,7%) em relação ao ano precedente. Também considerando o crescimento da população mundial atingindo a cifra de 6 bilhões e 700 milhões de pessoas, se observa um pequeno aumento percentual da incidência dos católicos no mundo inteiro (de 17,33 para 17,40%).
Registra-se também em aumento o número de bispos no mundo, passado de 4.946 para 5.002 entre 2007 e 2008 (+1,13%). O aumento foi significativo na África (+1,83%) e nas Américas (+1,57%), enquanto na Ásia (+1,09%) e na Europa (0,70%) o crescimento se coloca abaixo da média geral. A Oceânia registra no mesmo período uma taxa de variação de -3%. Porém, tais dinâmicas diferenciadas não causaram substanciais variações na distribuição dos bispos por continente.
Outra evolução positiva, mas moderada (em torno de 1% no período 2000 – 2008) diz respeito ao número de sacerdotes, tanto diocesanos quanto religiosos, aumentado ao longo dos últimos nove anos, tendo passado de 405.178 no ano 2000 para 408.024 em 2007 e para 409.166 em 2008.
A distribuição do clero entre os continentes, em 2008, é caracterizada por uma forte prevalência de sacerdotes europeus (47,1%), os sacerdotes americanos representam 30% do clero mundial; o clero asiático representa 13,2%", o clero africano representa 8,7% e o da Oceânia representa 1,2%.
Entre o ano 2000 e 2008 não variou a incidência relativa dos sacerdotes da Oceânia; por outro lado, cresceu significativamente tanto o clero africano quanto o clero asiático, bem como o clero americano. Já o clero europeu diminuiu significativamente, passando de 51,5 para 47,1%.
Entre as figuras de agentes religiosos que ajudam a atividade pastoral dos bispos e dos sacerdotes, as religiosas professas constituem o grupo de maior peso numérico. Tais religiosas, que no mundo eram 801.185 no ano 2000, diminuem progressivamente, tanto que em 2008 contavam 739.067 (com uma diminuição relativa no período de 7,8%).
Ressalta-se que os grupos mais numerosos de religiosas se encontra na Europa (40,9%) e na América 27,5%) e que as contrações de maior relevo se manifestaram igualmente na Europa (-17,6%) e na América (-12,9%), além da contração registrada na Oceânia (-14,9%); enquanto na África e na Ásia se verificam notáveis aumentos (+21,2% para a África e +16,4% para a Ásia), que contrabalanceiam a referida diminuição, mas não o suficiente para compensá-la.
Em nível global, o número dos candidatos ao sacerdócio aumentou, passando de 115.919 em 2007 para 117.024 em 2008. Ao todo, no biênio houve uma taxa de aumento de cerca de 1%.
Tal variação relativa foi positiva na África (3,6%), na Ásia (4,4%) e na Oceânia (6,5%); já na Europa registrou uma queda de 4,3%. Por sua vez, a América apresenta uma situação quase estacionária.
Em 2009 foram criadas pelo Papa 8 novas sedes episcopais e uma prelazia; uma prelazia foi elevada a diocese e 3 prefeituras a vicariatos apostólicos. Ao todo foram nomeados 169 novos bispos. (RL)
radiovaticana

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI PARA O 48º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

Queridos irmãos e irmãs!

O 48.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que será celebrado no dia 15 de Maio de 2011, IV Domingo de Páscoa, convida-nos a refletir sobre o tema: «Propor as vocações na Igreja local». Há sessenta anos, o Venerável Papa Pio XII instituiu a Pontifícia Obra para as Vocações Sacerdotais. Depois, em muitas dioceses, foram fundadas pelos Bispos obras semelhantes, animadas por sacerdotes e leigos, correspondendo ao convite do Bom Pastor, quando, «ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão por elas, por andarem fatigadas e abatidas como ovelhas sem pastor» e disse: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe» (Mt 9, 36-38).

A arte de promover e cuidar das vocações encontra um luminoso ponto de referência nas páginas do Evangelho, onde Jesus chama os seus discípulos para O seguir e educa-os com amor e solicitude. Objeto particular da nossa atenção é o modo como Jesus chamou os seus mais íntimos colaboradores a anunciar o Reino de Deus (cf. Lc 10, 9). Para começar, vê-se claramente que o primeiro ato foi a oração por eles: antes de os chamar, Jesus passou a noite sozinho, em oração, à escuta da vontade do Pai (cf. Lc 6, 12), numa elevação interior acima das coisas de todos os dias. A vocação dos discípulos nasce, precisamente, no diálogo íntimo de Jesus com o Pai. As vocações ao ministério sacerdotal e à vida consagrada são fruto, primariamente, de um contacto constante com o Deus vivo e de uma oração insistente que se eleva ao «Dono da messe» quer nas comunidades paroquiais, quer nas famílias cristãs, quer nos cenáculos vocacionais.

O Senhor, no início da sua vida pública, chamou alguns pescadores, que estavam a trabalhar nas margens do lago da Galileia: «Vinde e segui-Me, e farei de vós pescadores de homens» (Mt 4, 19). Mostrou-lhes a sua missão messiânica com numerosos «sinais», que indicavam o seu amor pelos homens e o dom da misericórdia do Pai; educou-os com a palavra e com a vida, de modo a estarem prontos para ser os continuadores da sua obra de salvação; por fim, «sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai» (Jo 13, 1), confiou-lhes o memorial da sua morte e ressurreição e, antes de subir ao Céu, enviou-os por todo o mundo com este mandato: «Ide, pois, fazer discípulos de todas as nações» (Mt 28, 19).
A proposta, que Jesus faz às pessoas ao dizer-lhes «Segue-Me!», é exigente e exaltante: convida-as a entrar na sua amizade, a escutar de perto a sua Palavra e a viver com Ele; ensina-lhes a dedicação total a Deus e à propagação do seu Reino, segundo a lei do Evangelho: «Se o grão de trigo cair na terra e não morrer, fica só ele; mas, se morrer, dá muito fruto» (Jo 12, 24); convida-as a sair da sua vontade fechada, da sua ideia de auto-realização, para embrenhar-se noutra vontade, a de Deus, deixando-se guiar por ela; faz-lhes viver em fraternidade, que nasce desta disponibilidade total a Deus (cf. Mt 12, 49-50) e se torna o sinal distintivo da comunidade de Jesus: «O sinal por que todos vos hão-de reconhecer como meus discípulos é terdes amor uns aos outros» (Jo 13, 35).
Também hoje, o seguimento de Cristo é exigente; significa aprender a ter o olhar fixo em Jesus, a conhecê-Lo intimamente, a escutá-Lo na Palavra e a encontrá-Lo nos Sacramentos; significa aprender a conformar a própria vontade à d’Ele. Trata-se de uma verdadeira e própria escola de formação para quantos se preparam para o ministério sacerdotal e a vida consagrada, sob a orientação das autoridades eclesiásticas competentes. O Senhor não deixa de chamar, em todas as estações da vida, para partilhar a sua missão e servir a Igreja no ministério ordenado e na vida consagrada; e a Igreja «é chamada a proteger este dom, a estimá-lo e amá-lo: ela é responsável pelo nascimento e pela maturação das vocações sacerdotais» (JOÃO PAULO II, Exort. ap. pós-sinodal Pastores dabo vobis, 41). Especialmente neste tempo, em que a voz do Senhor parece sufocada por «outras vozes» e a proposta de O seguir oferecendo a própria vida pode parecer demasiado difícil, cada comunidade cristã, cada fiel, deveria assumir, conscientemente, o compromisso de promover as vocações. É importante encorajar e apoiar aqueles que mostram claros sinais de vocação à vida sacerdotal e à consagração religiosa, de modo que sintam o entusiasmo da comunidade inteira quando dizem o seu «sim» a Deus e à Igreja. Da minha parte, sempre os encorajo como fiz quando escrevi aos que se decidiram entrar no Seminário: «Fizestes bem [em tomar essa decisão], porque os homens sempre terão necessidade de Deus – mesmo na época do predomínio da técnica no mundo e da globalização –, do Deus que Se mostrou a nós em Jesus Cristo e nos reúne na Igreja universal, para aprender, com Ele e por meio d’Ele, a verdadeira vida e manter presentes e tornar eficazes os critérios da verdadeira humanidade» (Carta aos Seminaristas, 18 de Outubro de 2010).
É preciso que cada Igreja local se torne cada vez mais sensível e atenta à pastoral vocacional, educando a nível familiar, paroquial e associativo, sobretudo os adolescentes e os jovens – como Jesus fez com os discípulos – para maturarem uma amizade genuína e afetuosa com o Senhor, cultivada na oração pessoal e litúrgica; para aprenderem a escuta atenta e frutuosa da Palavra de Deus, através de uma familiaridade crescente com as Sagradas Escrituras; para compreenderem que entrar na vontade de Deus não aniquila nem destrói a pessoa, mas permite descobrir e seguir a verdade mais profunda de si mesmos; para viverem a gratuidade e a fraternidade nas relações com os outros, porque só abrindo-se ao amor de Deus é que se encontra a verdadeira alegria e a plena realização das próprias aspirações. «Propor as vocações na Igreja local» significa ter a coragem de indicar, através de uma pastoral vocacional atenta e adequada, este caminho exigente do seguimento de Cristo, que, rico de sentido, é capaz de envolver toda a vida.
Dirijo-me particularmente a vós, queridos Irmãos no Episcopado. Para dar continuidade e difusão à vossa missão de salvação em Cristo, «promovam o mais possível as vocações sacerdotais e religiosas, e de modo particular as missionárias» (Decr. Christus Dominus, 15). O Senhor precisa da vossa colaboração, para que o seu chamamento possa chegar aos corações de quem Ele escolheu. Cuidadosamente escolhei os dinamizadores do Centro Diocesano de Vocações, instrumento precioso de promoção e organização da pastoral vocacional e da oração que a sustenta e garante a sua eficácia. Quero também recordar-vos, amados Irmãos Bispos, a solicitude da Igreja universal por uma distribuição equitativa dos sacerdotes no mundo. A vossa disponibilidade face a dioceses com escassez de vocações torna-se uma bênção de Deus para as vossas comunidades e constitui, para os fiéis, o testemunho de um serviço sacerdotal que se abre generosamente às necessidades da Igreja inteira.
O Concílio Vaticano II recordou, explicitamente, que o «dever de fomentar as vocações pertence a toda a comunidade cristã, que as deve promover, sobretudo mediante uma vida plenamente cristã» (Decr. Optatam totius, 2). Por isso, desejo dirigir uma fraterna saudação de especial encorajamento a quantos colaboram de vários modos nas paróquias com os sacerdotes. Em particular, dirijo-me àqueles que podem oferecer a própria contribuição para a pastoral das vocações: os sacerdotes, as famílias, os catequistas, os animadores. Aos sacerdotes recomendo que sejam capazes de dar um testemunho de comunhão com o Bispo e com os outros irmãos no sacerdócio, para garantirem o húmus vital aos novos rebentos de vocações sacerdotais. Que as famílias sejam «animadas pelo espírito de fé, de caridade e piedade» (Ibid., 2), capazes de ajudar os filhos e as filhas a acolherem, com generosidade, o chamamento ao sacerdócio e à vida consagrada. Convictos da sua missão educativa, os catequistas e os animadores das associações católicas e dos movimentos eclesiais «de tal forma procurem cultivar o espírito dos adolescentes a si confiados, que eles possam sentir e seguir de bom grado a vocação divina» (Ibid., 2).

Queridos irmãos e irmãs, o vosso empenho na promoção e cuidado das vocações adquire plenitude de sentido e de eficácia pastoral, quando se realiza na unidade da Igreja e visa servir a comunhão. É por isso que todos os momentos da vida da comunidade eclesial – a catequese, os encontros de formação, a oração litúrgica, as peregrinações aos santuários – são uma ocasião preciosa para suscitar no Povo de Deus, em particular nos menores e nos jovens, o sentido de pertença à Igreja e a responsabilidade em responder, com uma opção livre e consciente, ao chamamento para o sacerdócio e a vida consagrada.

A capacidade de cultivar as vocações é sinal característico da vitalidade de uma Igreja local. Invoquemos, com confiança e insistência, a ajuda da Virgem Maria, para que, seguindo o seu exemplo de acolhimento do plano divino da salvação e com a sua eficaz intercessão, se possa difundir no âmbito de cada comunidade a disponibilidade para dizer «sim» ao Senhor, que não cessa de chamar novos trabalhadores para a sua messe. Com estes votos, de coração concedo a todos a minha Bênção Apostólica.

Vaticano, 15 de Novembro de 2010.

BENEDICTUS PP. XVI

FONTE: NET

25 ANOS DE HISTÓRIA VOCACIONAL

TUDO COMEÇOU EM FEVEREIRO
DE 1.996 EM TANABI

1.986 - 1.989 - Seminário Menor em Tanabi
1.990 - 1.992 - Filosofia em São José do Rio Preto
1.993 - 1.996 - Teologia em São José do Rio Preto
    28 de Abril de 1.996
   Ordenação diaconal em Tanabi

05 de dezembro de 1.996
Ordenação presbiteral na Catedral

  1.986 - 2.011
25 anos

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

PRESTE ATENÇÃO

COITADO DELE, SEMPRE ERRADO.

Quando o padre fala dez minutos a mais, engoliu agulha de vitrola.
Quando fala com voz forte, está gritando demais.
Quando possui um carro, é mundano.
Quando visita os paroquianos, é fofoqueiro.
Quando não os visita, é anti-social.
Quando pede donativos para construir algo, é dinheirista.
Quando não pede nada não se interessa pelos problemas do povo.
Quando é pontual nas cerimônias, é escravo do relógio.
Quando atrasa um pouco, está sacrificando a comunidade.
Quando quer reformar a igreja, é esbanjador, poderia aplilcar noutra coisa.
Quando é jovem, não tem experiência.
Quando é velho, está na hora de se aposentar.
Quando se traja bem, é grã-fino e quer se aparecer.
Quando é simples no trajar, não sabe respeitar sua dignidade.
Se é bonito, que pena.
Se é feio, coitado, só podia ser padre.
Quando passa pela rua e esquece de cumprimentar, ficou orgulhoso.
Quando conversa e saúda a todos, é um bobo alegre.
Quando dialoga com moças, é namorador.
Quando não conversa, é complexado.
Quando morre ou vai embora, dificilmente aparece alguém para o substituir.
Porque, na verdade ele é:
Mil anos de certeza para um povo
Com 20 séculos de esperança.
Ele é sagrado, num mundo desacralizado.
Ele é o levita... ele é o pai de um povo...
Ele é semente, é mensagem, é Igreja.
Ele é os lábios e as mãos da Igreja, ensaiando uma benção para o amanhã.
Assim deve ser visto o sacerdote:
homem grande de espírito nobre,
homem que luta com Deus.
Um servidor humilde para os tímidos e fracos,
que não se rebaixa perante os poderosos,
mas se curva diante dos pobres.
Dotado de sabedoria e amor à causa do Pai.
Inimigo da preguiça, sempre fiel a Deus,
Enfim, um ser humano muito especial.

domingo, 23 de janeiro de 2011

ORAÇÃO DO SACERDOTE NUMA TARDE DE DOMINGO

Esta tarde, Senhor, estou sozinho.
Na Igreja, pouco a pouco, os ruídos calaram-se.
Foi-se embora toda a gente,
E eu voltei para casa,
Passo a passo,
Sozinho.
Cruzei-me com gente que voltava de um passeio,
Passei pelo cinema: vomitava uma pequena multidão,
Vagueei ao longo de esplanadas de cafés onde, cansados,
Os domingueiros tudo faziam para esticar um pouco mais a
Alegria de viver um Domingo de festa.
Esbarrei nos miúdos que jogavam à bola na rua.
Os garotos, Senhor!
Os filhos dos outros, que não serão nunca os meus.
E aqui estou, Senhor,
Sozinho!
No silêncio que me dói
Na solidão que me oprime.

Tenho 33 anos, Senhor,
Um corpo feito como os outros corpos,
Braços moços para o trabalho,
Um coração reservado para o amor,
Mas tudo isto Te dei.
É verdade que de tudo precisavas,
Tudo Te dei, Senhor, mas é duro Senhor.
É duro dar o próprio corpo: ele queria dar-se a outro.
É duro amar toda a gente e não possuir ninguém.
É duro apertar a mão sem poder retê-la.
É duro fazer que brote uma afeição, mas para a dar a Ti.
É duro nada ser para mim mesmo, a fim de ser tudo para eles.
É duro ser como os outros, entre os outros e ser um outro!
É duro dar sem cessar, sem procurar receber.
É duro alguém ir ao encontro dos outros, sem que jamais
alguém venha ao meu encontro.
É duro sofrer os pecados dos outros, sem poder recusar
acolhê-los e carregá-los.

É duro receber os segredos, sem poder compartilhá-los.
É duro arrastar os outros sem cessar e nunca poder, um
instante sequer, deixar-me arrastar pelos outros.
É duro sustentar os fracos sem poder apoiar-me sobre um forte.
É duro estar sozinho.
Sozinho diante de todos,
Sozinho diante do mundo,
Sozinho diante do sofrimento, do pecado, da morte.


Não estás sozinho, meu Filho,
Estou contigo,
Eu sou teu,
Eu precisava, na verdade,
de uma humanidade a mais para continuar a minha
Encarnação e a minha Redenção.
Desde toda a eternidade, Eu te escolhi.
Eu preciso de ti:
Preciso das tuas mãos para continuara abençoar,
Preciso dos teus lábios para continuar a falar,
Preciso do teu corpo para continuar a sofrer,
Preciso do teu coração para continuar a amar,
Preciso de ti para continuar a salvar.
Fica comigo, meu Filho.
Senhor, eis-me aqui:
Eis o meu corpo,
Eis o meu coração,
Eis a minha alma.
Fazei-me bastante grande para atingir o mundo,
Bastante forte para carregar com ele,
Bastante puro para o abraçar, sem querer guardá-lo.

Fazei que eu seja um ponto de encontro, sim, mas ponto de passagem.
Caminho que não pende para si próprio,
porque nele não há nada de humano a encontrar, nada que não conduza a Ti.

Esta tarde, Senhor, enquanto tudo em volta está em silêncio,
dentro do meu coração sinto morder duramente a solidão.
Enquanto o meu coração uiva longamente a fome de prazer,
enquanto os homens me devoram a alma
e eu me sinto impotente para a saciar,
Enquanto sobre os meus ombros pesa o Mundo inteiro,
com todo o seu peso de miséria e pecado,
eu repito o meu Sim.
Não às gargalhadas, mas lentamente, lucidamente,
humildemente.
Sozinho, Senhor, sob o Teu olhar,
Na paz da tarde...

(in Poemas para rezar, de Michel Quoist)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

VOCAÇÃO

Eu andava pelos 30 anos e estava, por assim dizer, instalado na vida. E, no entanto, parecia que me faltava alguma coisa. Ou um Alguém. Assim mesmo, com maiúscula. O Absoluto que na minha inquietação procurava não O tinha encontrado na profissão, nem nas relações mais próximas que ia cultivando. Nesse instante de lucidez, senti que uma Voz me falava pessoalmente, no íntimo do coração, chamando-me pelo nome, convidando-me a preparar o meu terreno para a sementeira. Eu que, como jornalista, tinha o hábito de perseguir as respostas, comecei a andar atrás das perguntas. É urgente descobri-las, saber pô-las. Comecei a alimentar-me com sofreguidão da Eucaristia, mas o estar "do lado de lá" já me sabia a pouco. Cristo, o Cristo do sorriso, o Ressuscitado, queria mais de mim.


Fiz o meu caminho, reforçando os laços com a Igreja. Cheguei a pensar que aquilo não me estava a acontecer e a pedir a Deus para me tirar daquele filme. Que era já tarde na minha vida, que não ia a tempo, que se tivesse acontecido antes... Nada a fazer: o "bichinho" continuava a martelar, a propor-me sair de mim próprio, esvaziar-me para me voltar a encher, desta vez do que é essencial. Na oração, descobri-me apaixonado por Cristo. Seria cansativo enumerar agora as pessoas e acontecimentos de que Ele Se serviu para me encaminhar para o Seminário. Digo apenas que, após o click inicial, veio a prova da fidelidade, por vezes dura, balbuciante.

A entrada não foi fácil. Dar contas dos meus actos, cumprir horários, viver e conviver com rapazes mais novos afigurava-se-me um pesadelo. Era, salvo seja, como se tivesse casado com 40 pessoas! Não tinha compreendido ainda que a beleza deste mistério reside no facto de nunca ter pedido para viver com eles nem eles comigo. Temia vir a ser como peixe fora de água. Receava poder vir a perturbar a casa, como aquelas pessoas que chegam atrasadas à sessão de cinema e têm que pedir licença até chegarem ao lugar que lhes foi destinado.

Mas aos poucos fui descobrindo que o Seminário é, além de um dom, uma tarefa que a cada dia que passa se constrói em comunidade. Uma família. A vida oculta de Nazaré. Não somente um lugar mas uma experiência de encontro com o Cristo que chamou os discípulos para estarem com Ele, primeiro, e só depois para os enviar a pregar - por isso prefiro dizer que estou "em seminário", mais do que "no seminário". Que esta experiência não pode ser concebida tanto do ponto de vista das coisas de que abdicamos, de que nos privamos, como na perspectiva de uma vida nova, diferente, que Ele nos oferece para que a comuniquemos. Estou com Ele. E sabeis que mais? Acabei por concluir que, afinal, a semente nunca tinha deixado de estar lá! Hoje, aos que ainda olham para mim intrigados e pronunciam a expressão "vocação tardia", costumo responder, por brincadeira, "pois, já passava da meia-noite quando o Senhor bateu à porta...". Nunca é tarde, tal como nunca é cedo!

Senhor, dou-Te graças pelas maravilhas que realizaste na minha vida e peço-Te que me dês força para ver o filme até ao fim. Podes contar comigo para ligar os máximos, porque não é o que não se semeou que mais tarde se vai colher. Sei que não conquistei nada nem vou conquistar, porque a cada passo és Tu que me conquistas. Desperta no coração das famílias cristãs a vontade de corresponderem à radicalidade do Teu amor gerando novos filhos para Igreja – lembrados de que um filho não é uma coisa que se possui (tantas vezes para que seja o que não fomos) e que por isso nunca se perde -, propondo-lhes que acolham o realismo do impossível, o dom de aprender a ser futuro em embrião aqui e agora, que Te sigam mais de perto, que descubram a beleza da vocação na beleza do Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas.

Miguel Miranda
Fonte: Net